
Meu primeiro emprego aqui no EUA foi numa empresa de Valet Parking. Uma empresa q presta serviços de valet em várias locações em Santa Monica. Os donos são brasileiros assim como todos os funcionários, salvo algumas exceções como um peruano, um colombiano e um paquistanes. Mas nenhum americano.
A oportunidade surgiu qnd eu estava cansada de procurar emprego, dps de mais de 1 mes na luta e sem sucesso. Mandava curriculos pra td qnt é oferta de vaga, comparecia a vários Open Calls e nada acontecia. Nem um retorno de “nao, obrigada” eu recebia de volta. A crise aqui está mto ruim ainda com relação a emprego. Ficava chocada qnd ia a algum Open Call e tinha uma fila enorme de pessoas na porta ou uma pilha de fichas q haviam sendo preenchidas durante o dia todo antes de mim. Na grande maioria americanos (pelo menos aparentavam ser) de todas as idades.
Com isso as possibilidades eram sempre mínimas e eu sempre saía desses lugares completamente desanimada e sem esperança. Em tempos de crise: dar emprego pra imigrante ou pros americanos???? Resposta meio óbvia. Não tiro a razão deles.
Mas o fato é q o tempo estava passando e eu continuava sem emprego. O Bruce tinha o contato dessa empresa q um colega de trabalho brasileiro indicou pra q ele assim q chegou aqui no EUA pra fazer um dinheiro extra. Acabou não rolando dele trabalhar lá mas ele guardou os telefones (ainda bem). Aí tivemos a ideia de ligar pra lá e ver se por acaso eles não teriam alguma vaga em aberto.
Falamos diretamente com o dono q foi totalmente solícito e na msm hora pediu q eu ligasse pro escritório e conversasse sobre horários e uniforme com a gerente geral. Ele não prometeu mtas horas de trabalho, mas entre não ter nada e ter alguma coisa, a segunda opção é bem melhor né.
Pra resumir um pouco a história, a vaga era de caixa de estacionamento, basicamente era tranquilo durante a semana, horário bom, apenas 5h por dia, não fazia grandes esforços, ficava o dia todo sentada. Nos finais de semana, eu trabalhava de Valet no restaurante q fica logo na entrada do Píer de Santa Monica. Era bem pesado, tinha q correr mto o tempo todo de um lado pro outro, mas no fundo eu adorava pq assim tive oportunidade de dirigir carros maravilhosos q eu nunca terei na minha vida e foi uma ótima experiencia nesse aspecto. Logo eu q adoro carros e adoro dirigir.
O salário acabava sendo legal pq eu fazia bastante horas e foi aí q virou um problema pra mim. Desde o dia q eu entrei, eu tinha perguntado da possibilidade de ter folga nos finais de semana, ou pelo menos no domingo, pra q eu pudesse aproveitar o Bruce livre pra gente passear e até pra ter mais tempo de dar um jeito na casa e coisas asssim. Mas vetaram na msm hora e disseram q ou era assim ou era assim tb. Folga só 1 dia e durante a semana. Como estávamos numa época de vacas magras, resolvemos deixar rolar ja q nao saiamos nos finais de semana com tanta frequencia e seria uma boa oportunidade de juntar dinheiro. E fui levando.
Mas infelizmente a coisa foi ficando mto complicada pq simplesmente eu não tinha hora de trabalhar. Eu só sabia se eu ia trabalhar qnd me ligavam no dia anterior as 10h da noite pra dizer. Ou seja, eu não podia planejar nada da minha vida pq eu nao sabia se teria q trabalhar ou nao. Outro ponto: eu trabalhava num estacionamento aberto com um uniforme tapada das cabeças aos pés. Pra quem conhece a CA, sabe q aqui além de ser hiper seco, faz um calor danado e ainda um sol q fica na cabeça o dia todo e q te queima em 5 minutos de exposiçao ao sol. Imagina ficar 5h todo santo dia?? As minhas mãos e meu rosto estavam pretos e ressecados. Não tinha hidratante e bloqueador solar q desse jeito. Não podia usar boné nem mto menos óculos escuros.
Mas o maior problema msm se tornaram os finais de semana qnd eu tinha hora pra trabalhar e simplesmente não tinha hora pra sair. Ficava esperando eles me liberarem de acordo com o movimento de carros no estacionamento. E qnd me liberavam, me mandavam pro restaurante e ficava ate as 11h da noite. Aos sábados trabalhava 12h direto, sem parar. Só tinha uma pausa de 15min pra fazer um lanche, q quase sempre eram Mc Donalds e mtas foram as vezes q eu estava lá engolindocomendo o lanche e o telefone tocando com eles me apressando pq eles precisavam de mim lá.
Eu chegava em casa sempre mto tarde, morta de cansada e mal ficava com o Bruce. Era o tempo só de chegar, tomar banho, comer algo decente, deitar e dormir pra no dia seguinte acordar cedo e começar td de novo. Eu ficava sonhando com o dia da minha folga pq já estava tomando horror do trabalho. O tempo q eu gastava pra chegar e volta de lá tb era mto desgastante. Durante a semana eu ia de onibus e gastava 1h pra ir e quase 2h pra voltar pq pegava toda a hora do rush.
Eu não estou querendo dizer com isso q eles eram más pessoas ou exploradores. Pelo contrário, me ajudaram numa hora q ninguém queria ajudar. Mas eles estavam acostumados a lidar com estudantes ou aventureiros q vinham do Brasil pra trabalhar q nem louco pra juntar dinheiro e voltar, ou vieram em busca do “sonho americano” e precisavam de um emprego pra começar a vida aqui. Mtos deles trabalham 12h por dia, sem folga e por opção própria. Ganham bastante dinheiro, é verdade, mas não tem vida, vivem pra trabalhar.
Eu não vim aqui pra nada disso. Abri mão de mtas coisas no Brasil pra chegar aqui e ficar me matando de trabalhar pra ganhar um dinheiro q simplesmente não se tem tempo de gastar. Aquele tipo de trabalho definitivamente não era pra mim, estava me desgastando mto, eu vivia cansada, sem vontade de fazer nada de decente da minha vida, pq queria guardar forças pra aguentar a maratona do final de semana. Fora q eu mal conseguia ficar com meu marido. Um belo dia sentei com ele, disse q estava insatisfeita e queria sair. Ele tb estava insatisfeito, nao estava satisfeito em ver como estava fazendo mal a minha pele e a minha saúde e decidimos q eu ficaria até o final do mês pelo menos e pedi demissão dia 30/04.
Não me arrependo de ter saído, msm sem ter nada em vista. Mto pelo contrário. Me possibilitou ficar mais disponível pros meus reais interesses e pude começar a focar na minha carreira de vez aqui no EUA. Mas isso é assunto pra outro post…
Estamos indo pra San Francisco esse final de semana e qnd voltar conto td pra vcs.
Menina, que maratona. Eu que odeio sol e calor definitivamente odiaria esse emprego. Mas, sabe, Tati, você agiu do jeito certo. Precisava naquele momento e também agiu certo quando sentiu que não havia mais sentido em continuar lá. Espero que você consiga retomar aqui nos EUA sua carreira de musicista e ser feliz fazendo o que realmente gosta. San Francisco? Ahhhhh, é uma das únicas duas cidades americanas que eu sempre quis conhecer. Coloque muitas fotos aí pra gente ver. Iremos este ano ainda. Meu marido disse que é bem legal. Aproveite muito seu passeio. Beijão
pois é Eliane, foi bom e durou o tempo q tinha q durar, não dava mais, mas valeu a experiência.